6 de jun de 2010

Abaixo a política bossa-nova


Novas eleições. Novas promessas, novos planos, novos projetos; certamente somente alguns sairão dos discursos inflamados e do papel timbrado. Neste momento em que todos respiramos de modo incomum (se tratando de Brasil) esta atmosfera de cidadania, de coletividade, de zelo pelo que é público precisamos ter em mente que a participação política nunca acaba, nem é uma festa ocorrida de dois em dois anos, apenas. A política transpassa a esfera do jogo do poder, ela está inserida em gestos e ações que, a primeira vista, não demonstram o mínimo elo com os destinos do país - por consequência,  com nossos próprios destinos. A verdadeira política não combina com contemplação, nem com passividade.

A vida política é de todos - dos eleitos democraticamente para cargos executivos e legislativos ou dos cidadãos que não são filiados a nenhum partido político. A vida política está no exercício da cidadania (palavra tão dita, mas tão pouco praticada), na busca por soluções para o bem comum. Participar da vida política é exigir dos nossos representantes que o dinheiro público seja gerido de modo racional, evitando-se desperdícios e utopias que esvaziam os cofres e trazem injustiças para a maioria da população. Devemos pensar que a política, apesar de repetidamente ter sido instrumento de autossatisfação de alguns que detem currais eleitorais há décadas, é o instrumento ideal para que tenhamos uma sociedade mais justa e integrada.

A vida política não é sectária, apesar da pluralidade de partidos. Esta pluralidade é a representação de que o ideal político não pode ser aliado à individualidade. É um engano o pensamento como  aquele do cidadão que diz que não quer saber de política, pois tem muito  o que fazer e não tem tempo para tal 'excentricidade'. Ele pode não ter uma vida política eletiva ou militante, mas tem uma vida política - em seu cotidiano, por meio de atitudes, pelo meio de ações que visam o bem estar coletivo. Se o serviço de coleta de lixo, por exemplo é deficiente, é dever do estado torná-lo eficiente; mas para isso o cidadão deve também ter o dever de cobrar um serviço bom. Daí podemos concluir que não há direitos sem deveres na esfera da vida política.

O Brasil tem passado por bons momentos de crescimento e prosperidade, o que não é suficiente. Ainda as injustiças de séculos permeiam a vida cotidiana, algumas mais expostas, outras menos. A violência contra mulheres e crianças ainda é alta e a impunidade a favor de seus agressores também. A miséria, apesar de ter diminuído, tem ainda  força nas grandes cidades e também em bolsões de pobreza pelo interior. A vida nas cidades grandes está se tornando cada vez mais impraticável com seu trânsito caótico e falta de espírito cidadão; já no interior são crescentes os números da violência. A cada dia que passa estamos nos aquartelando em residências falsamente protegidas. A educação ainda é um privilégio, assim como atendimento médico digno. Estes são apenas alguns dos problemas que atingem a todos - se bem que nem todos os cidadãos, inclusive aqueles que deveriam ser considerados 'esclarecidos' percebem. Para saná-los não existem fórmulas prontas, somente com esforço coletivo, com uma mentalidade política poderemos vislumbrar algo melhor. A democracia tem um preço, e o preço é a vigilância, mas a vigilância do dia-a-dia, do cidadão que sabe de seus direitos e deveres, que não se ilude com discursos e que sabe que é componente indispensável para a construção de uma sociedade mais equalitária.


5 comentários :

FABIOTV disse...

Olá, tudo bem? A Dilma Rousseff ganhará essa eleição no primeiro turno.. Até com certa facilidade (mais que o Lula...).. Abraços, Fabio www.fabiotv.zip.net

Marcos Vinicius Gomes disse...

Não sei não...parece que vai rolar muita água nesta ponte ainda.
Abs

André San disse...

As pessoas deviam pensar mais nisso neste momento de Copa do Mundo. É impressionante como o debate político desaparece enquanto a bola rola. Será que não dá pra prestar atenção nas duas coisas ao mesmo tempo? Ou a intenção é promover um "pão e circo" mesmo? Abraço!
André San, www.tele-visao.zip.net

Marcos Vinicius Gomes disse...

Esta questão pão e circo já foi mais grave em tempos passados,principalmente na ditadura...mas ainda persiste de vez em quando. Abs

Armando Maynard disse...

Caro Marcos, muito bem elaborado o seu artigo. É isso aí, precisamos continuar a pensar 'POLÍTICA', pois este é o caminho para as mudanças e soluções dos problemas coletivos. Cidadão consciente, é cidadão participativo, que busca incessantemente o aperfeiçoamento democrático, com o fim de chegar a liberdade com justiça social. E tudo isso começa com a EDUCAÇÃO.Um abraço, Armando.